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Seg, 20 de Fevereiro de 2012 14:59

Semana da Arte Moderna – 90 anos e Oswald de Andrade.

Escrito por Fernando Sousa
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Neste ano de 2012  um movimento ocorrido no terceiro decênio do século XX, acontecido entre 13 e 17 de fevereiro de 1922, no Teatro Municipal de São Paulo, teve por objetivo uma verdadeira renovação de linguagem, na busca de experimentação, na liberdade criadora da ruptura com o passado, e até corporal, pois nesta ocasião a arte passou da vanguarda para o modernismo. O evento marcou-se com a apresentação de novas ideias e conceitos artísticos, como a poesia através da declamação, que antes era só escrita; a música por meio de concertos, que antes só havia cantores sem acompanhamento de orquestras sinfônicas e a arte plástica exibida em telas, esculturas e maquetes de arquitetura, com desenhos arrojados e modernos.

A Semana significou, também, uma exposição da nova realidade, expondo-se aquele momento glorioso em confrontos com os dias hodiernos. Ela foi como um movimento pan-artístico, numa época cheia de turbulências políticas, sociais, econômicas e culturais no mundo, mas que logo de início, manifestou-se principalmente na prosa e na poesia de Oswald e Mário de Andrade, seus fundadores teóricos, na pintura com Tarsila do Amaral e Anita Malfatti, na escultura com Brecheret, na música com Villa-Lobos e até mesmo na sociologia e historiografia com Gilberto Freire e Sérgio Buarque de Holanda. A Antropofagia de Oswald, os poemas negros de Raul Bopp, e outros, tiveram sua continuidade com Carlos Drumond de Andrade, Vinícius de Morais, João Cabral de Melo Neto, Graciliano Ramos e Guimarães Rosa, cada qual na sua arte, inclusive Plínio Salgado, com seu “modus comportandi” inusitado.
 

Noventa anos depois, fez-se um evento comemorativo, para desfilar as consequências absorvidas pelo hoje, para realçar nomes e ideias. Assim aqui estamos para reverenciar a memória de Oswald de Andrade, o mais vibrante e decantado artífice, cujo nome completo é José Oswald de Sousa Andrade, alguém que herdou sangue oriundo de nossa região, particularmente Óbidos. Seus pais eram José Oswald Nogueira de Andrade e Ignês Henriqueta Inglês de Sousa Andrade, sendo sua mãe irmã de  Herculano Marcos Inglês de Sousa, estes nossos conterrâneos, filhos do desembargador Marcos Antônio Rodrigues de Sousa e Henriqueta Amália de Góis Brito, membros de tradicionais famílias paraenses e mencionadas como uma das fundadoras do Pará.

 
Oswald foi um dos mais vivos ensaístas e panfletários da nossa literatura, com uma rara capacidade de tornar sugestiva a ideia, pela imposição agressiva e contundente das afirmações, o humanismo e o fulgor dos tropos. Pode-se dizer que a sua importância histórica de renovador e agitador, no mais alto sentido, foi decisiva para a formação de nossa literatura contemporânea. Seus pensamentos identificavam sua forma de ser, quando pelo jornalismo disse: “Nada de revolução: o papel impresso é mais forte que as metralhadoras”, ou quando o seu espírito humano levou-o a divagar assim: “Só seremos felizes sobre a terra quando toda a humanidade, num mundo redimido, comer à mesma mesa, com a mesma fome justa satisfeita, sob o mesmo tendal de fraternidade e de democracia.”

 
Após conversar com Oswald, lendo suas obras “Memórias sentimentais de João Miramar”, “Um homem sem profissão”, “Os dentes do dragão”, “Ponta de lança” (ensaio) e a marcante poesia “Pau Brasil”, imagino-me ouvindo-o declamar algumas de suas poesias, inspirado, também, e muitas vezes, em suas companheiras de conúbio, a Tarsila do Amaral, a Pagu, a Maria Antonieta, desta dizendo, quando perguntado, que era a coisa que mais amava na terra..... Entendo-o, e vou buscar o menino que fez seu primeiro versejar, incomodado com um inglês seu vizinho de carteira sentado deselegantemente.
 

Propus-me a estes comentários, para ressaltar o DNA que brota do chão e da história de nossa terra e conclamar a que garimpemos com mais vigor os nossos valores que surgem e, por circunstâncias diversas, acomodam-se e não se desenvolvem. É preciso continuar a história que nossos antepassados nos legaram.

 

           
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Comentários  

 
0 #1 Carlos Antonio 12/03/2012 10:43
Fernando: Parabéns pelo texto e pelas homenagens. Abraços.
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