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Data: 06/02/2010
As tragédias anunciadas nos rios da Amazônia


O naufrágio do barco Almirante Barroso, ocorrido no final do ano passado, próximo ao município de Monte Alegre, é mais uma destas tragédias anunciadas que todos sabem que pode acontecer a qualquer momento, mas nada fazem para impedir. A falta de equipamentos de segurança, treinamento da tripulação e a superlotação das embarcações é a combinação fatal que, nos últimos anos, matou mais de 200 pessoas nos rios da região. No naufrágio do Almirante Barroso, 14 pessoas perderam a vida.

Além da dor e do sofrimento das famílias atingidas pela tragédia, o que fica depois de um acontecimento deste é a pergunta de sempre: até quando?  Esta pergunta tem sido feita repetidas vezes, sempre que acontece uma tragédia nos rios da região. A sociedade quer saber que medidas têm sido adotadas pelas autoridades para garantir a segurança das pessoas que precisam viajar pela região e têm no transporte fluvial a única opção.

A reportagem do Novo Estado procurou a Delegacia Fluvial de Santarém, para tentar buscar respostas. O delegado fluvial Evandro Oliveira informou que existe uma fiscalização rigorosa e que desde 2008, quando assumiu o comando da Delegacia Fluvial, uma média de 1.200 embarcações são abordadas por mês e passam por um minucioso processo de fiscalização.

"Toda embarcação tem que ser inscrita na Capitania dos Portos e todas são vistoriadas e têm os requisitos mínimos de equipamentos de segurança, um número mínimo de tripulantes para conduzir a embarcação com segurança, os equipamentos auxiliares de navegação. Todas elas atendem os requisitos pré-estabelecidos nas normas da Autoridade Marítima Brasileira", argumenta o comandante.

Mas porque então acontecem tragédias como a do final de ano?  Os números fornecidos pela Delegacia Fluvial ajudam um pouco a entender o problema. Somente no município de Santarém, nos últimos dois anos, 8.500 embarcações de médio e grande porte estão aptas a navegar pelos rios da região. Levando em consideração os barcos de circunscrições de outros estados como Amapá (Macapá), Amazonas (Itacoatiara, Manaus, Parintins, Tabatinga e Tefé), Rondônia (Porto Velho), o número sobe para 12 mil.

O número de pessoas que transitam entre Santarém e outros municípios, até mesmo outros estados tem uma rotatividade alta. De acordo com o comandante Evandro Oliveira, cerca de 35 mil pessoas desembarcam na cidade por mês, durante o período considerado normal. Já em meses considerados como de alta rotatividade por causa das férias, como janeiro e julho, o número salta para 45 mil. O comandante ressalta que estes dados são referentes somente às embarcações de médio e grande porte que obrigatoriamente tem que deixar lista de passageiros em Santarém. Os barcos menores não têm esta obrigação.

A Delegacia Fluvial de Santarém tem a responsabilidade de fiscalizar uma área de mais de 300 mil quilômetros quadrados, maior do que muitos países. Se a fiscalização é eficiente em Santarém, nos outros municípios é insuficiente e muitas vezes inexistente. As embarcações passam por estas cidades e saem superlotadas, muitas vezes com o dobro da capacidade de peso. Todos os casos de naufrágio registrado na região nos últimos anos apontam para superlotação das embarcações.


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